1. Uma palavra é adotada em Interlíngua desde que ela seja comum a pelo menos 3 das línguas nacionais escolhidas como fonte: português, espanhol, italiano, francês e inglês; alemão e russo podem vir a ser considerados.
A forma da palavra é a forma do protótipo, isto é, a forma que deu origem às diferentes formas das línguas nacionais. Assim, embora a palavra portuguesa olho possa ser bastante diferente do espanhol ojo, do italiano occhio e do francês oeil, todas se originaram de uma forma latina anterior oculo, que sobrevive na composição de palavras internacionais como oculista, ocular, etc. Portanto, olho em Interlíngua é oculo. (Interlíngua não usa sinais de acento gráfico; neste texto vogais tônicas serão sublinhadas para facilitar a leitura.
2. A interlíngua é uma língua auxiliar internacional baseada na existência de um vasto vocabulário comum compartilhado por línguas de grande difusão mundial. São palavras como abreviação, abdicação, abdução, abjuração, abolição, abominação, aborígene, absoluto, absorção, abstenção, abstração, acácia, etc.
Essas palavras geralmente são greco-romanas em sua origem, mas há palavras internacionais de outras origens: iglu, quimono, vodca, jaguar, vis-à-vis, software, etc.
A interlíngua veio a público em 1951 pela International Auxiliary Language Association, após mais de duas décadas de estudos lingüísticos, com a publicação das suas duas obras básicas que são: Interlingua–English Dictionary, com 27.000 palavras, e Interlingua Grammar.
3. Interlíngua é o sistema de transição criado pelo aprendiz, ao longo de seu processo de assimilação de uma língua estrangeira. É a linguagem produzida por um falante não nativo a partir do início do aprendizado, caracterizada pela interferência da língua materna, até o aprendiz ter alcançado seu teto na língua estrangeira, ou seja, seu potencial máximo de aprendizado.
Referências:
• O que é Interlíngua?
• Wikipédia - Interlíngua
• Interferência, Língua e Fossilização
Estudante: Fúlvio Saraiva
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idioleto /é/ s.m. LING o sistema lingüístico de um só indivíduo num determinado período de sua vida, que reflete suas características pessoais, os estímulos a que foi submetido, sua biografia etc.; idiolecto [Pertence ao campo da langue, e não da parole, porque trata de particularidades lingüísticas constantes, não fortuitas.] ETIM idi(o)- + -leto (ou -lecto), depreendido de dialeto; ver dialect- ou dialet.
HOUAISS, Antônio (1915-1999) e Villar, Mauro de Salles (1939- ). Dicionário Houaiss da Língua Português. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
Idioleto
Idioleto é o conjunto dos enunciados produzidos por uma só pessoa, e principalmente as constantes lingüísticas que lhes estão subjacentes e que consideramos como idiomas ou sistemas específicos; o idioleto é, portanto, o conjunto dos usos de uma língua própria de um indivíduo, num momento determinado (seu estilo).
A noção de idioleto acentua certos caracteres particulares dos problemas da geografia lingüística: todo “corpus” de falares, dialetos ou línguas só é representativo na medida em que emana de locutores suficientemente diversificados; mas é, pelo menos no início, sobre bases não lingüísticas que são escolhidos esses locutores e os enunciados que eles produzem. Mesmo se o pesquisador levanta, para um dado falar, enunciados em número suficiente de todos os locutores encontrados na língua estudada, ele postula implicitamente que esses locutores têm o mesmo falar. A noção de idioleto implica, ao contrário, que há variação não somente de um país a outro, de uma região a outra, de uma aldeia a outra, de uma classe social a outra, mas também de uma pessoa a outra. O idioleto é, de início, a única realidade que encontra o dialetólogo.
DUBOIS, Jean, Mathée Giacomo, Lois Guespin, Christiane Marcellesi, Jean-Baptiste Marcellesi, Jean-Pierre Mevel. Dicionário de Linguística. São Paulo: Editora Cultrix. 8ª edição, 2001.
Idioleto s.m.
FR. Idiolecte; INGL. Idiolect
1. Idioleto é a atividade semiótica, produtora e/ou leitora das significações – ou o conjunto de textos relativos a isso -, própria de um autor* individual*, que participa de um universo* semântico dado. Na prática das línguas* naturais, as variações* individuais não podem ser muito numerosas nem constituir desvios* muito grandes: elas correriam, assim, o risco de interromper a comunicação* interindividual. Neste sentido, são consideradas geralmente como fenômenos de superfície*, que afetam, em primeiro lugar, os componentes fonético e lexical da língua. Em estado puro, o idioleto depende da psicolingüística patológica e poderia ser identificado com a noção de autismo.
2. Situado no nível das estruturas profundas*, o problema do idioleto deve ser aproximado da noção de estilo*. Nessa perspectiva, pode-se conceber o idioleto como sendo o uso que um ator individual faz do universo semântico indvidual (tal como está constituído pela categoria* vida/morte) que ele pode dotar de investimentos hipotáxicos* particularizantes, e do universo coletivo (articulado pela categoria natureza/cultura), de cujos termos ele pode dispor a seu modo, homologando-o como o universo individual. Evidentemente são apenas algumas sugestões, relativas a uma problemática particularmente árdua.
GREIMAS, A. J. e J. Courtés. Universo semântico, Socioleto, Estilo, Psicossemiótica. Dicionário de semiótica. São Paulo: Contexto, 2008.
Estudante: Ítalo Rodrigues Sousa
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