idioleto /é/ s.m. LING o sistema lingüístico de um só indivíduo num determinado período de sua vida, que reflete suas características pessoais, os estímulos a que foi submetido, sua biografia etc.; idiolecto [Pertence ao campo da langue, e não da parole, porque trata de particularidades lingüísticas constantes, não fortuitas.] ETIM idi(o)- + -leto (ou -lecto), depreendido de dialeto; ver dialect- ou dialet.
HOUAISS, Antônio (1915-1999) e Villar, Mauro de Salles (1939- ). Dicionário Houaiss da Língua Português. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
Idioleto
Idioleto é o conjunto dos enunciados produzidos por uma só pessoa, e principalmente as constantes lingüísticas que lhes estão subjacentes e que consideramos como idiomas ou sistemas específicos; o idioleto é, portanto, o conjunto dos usos de uma língua própria de um indivíduo, num momento determinado (seu estilo).
A noção de idioleto acentua certos caracteres particulares dos problemas da geografia lingüística: todo “corpus” de falares, dialetos ou línguas só é representativo na medida em que emana de locutores suficientemente diversificados; mas é, pelo menos no início, sobre bases não lingüísticas que são escolhidos esses locutores e os enunciados que eles produzem. Mesmo se o pesquisador levanta, para um dado falar, enunciados em número suficiente de todos os locutores encontrados na língua estudada, ele postula implicitamente que esses locutores têm o mesmo falar. A noção de idioleto implica, ao contrário, que há variação não somente de um país a outro, de uma região a outra, de uma aldeia a outra, de uma classe social a outra, mas também de uma pessoa a outra. O idioleto é, de início, a única realidade que encontra o dialetólogo.
DUBOIS, Jean, Mathée Giacomo, Lois Guespin, Christiane Marcellesi, Jean-Baptiste Marcellesi, Jean-Pierre Mevel. Dicionário de Linguística. São Paulo: Editora Cultrix. 8ª edição, 2001.
Idioleto s.m.
FR. Idiolecte; INGL. Idiolect
1. Idioleto é a atividade semiótica, produtora e/ou leitora das significações – ou o conjunto de textos relativos a isso -, própria de um autor* individual*, que participa de um universo* semântico dado. Na prática das línguas* naturais, as variações* individuais não podem ser muito numerosas nem constituir desvios* muito grandes: elas correriam, assim, o risco de interromper a comunicação* interindividual. Neste sentido, são consideradas geralmente como fenômenos de superfície*, que afetam, em primeiro lugar, os componentes fonético e lexical da língua. Em estado puro, o idioleto depende da psicolingüística patológica e poderia ser identificado com a noção de autismo.
2. Situado no nível das estruturas profundas*, o problema do idioleto deve ser aproximado da noção de estilo*. Nessa perspectiva, pode-se conceber o idioleto como sendo o uso que um ator individual faz do universo semântico indvidual (tal como está constituído pela categoria* vida/morte) que ele pode dotar de investimentos hipotáxicos* particularizantes, e do universo coletivo (articulado pela categoria natureza/cultura), de cujos termos ele pode dispor a seu modo, homologando-o como o universo individual. Evidentemente são apenas algumas sugestões, relativas a uma problemática particularmente árdua.
GREIMAS, A. J. e J. Courtés. Universo semântico, Socioleto, Estilo, Psicossemiótica. Dicionário de semiótica. São Paulo: Contexto, 2008.
Estudante: Ítalo Rodrigues Sousa
Família Linguística é um grupo de línguas provenientes de uma mesma descendência, ou de uma mesma linhagem, que derivam de uma língua ancestral comum. Esse grupo de línguas é rigorosamente identificado através da Filologia, ciência que estuda uma língua a partir de documentos escritos, considerando fatos externos e internos que influenciaram na evolução de uma determinada língua ao longo do tempo. Sendo assim, a família linguística é uma unidade filogenética, o que significa dizer que todos os seus membros derivam de um ancestral comum chamado de “protolíngua”. Este ancestral é geralmente muito pouco conhecido diretamente, uma vez que a maior parte das línguas tem uma história escrita muito reduzida.
As famílias lingüísticas podem ser divididas em unidades filogenéticas menores, referidas convencionalmente como “ramos da família”, porque a história de uma família linguística é muitas vezes representada por um diagrama em árvore, uma espécie de “árvore genealógica” da língua em estudo. Como não temos, na maioria dos casos, conhecimento direto da protolíngua da qual os membros de determinada família ou subfamília descendem, é possível recuperar muitas das características de uma família linguística aplicando o “método comparativo”. Este procedimento, desenvolvido no século XIX pelo linguista August Schleicher, concerne na reconstrução da linhagem de determinada lingua com base na sua linha do tempo e no emparelhamento formal-semântico de duas ou mais línguas, independente do aspecto temporal.
Um exemplo concernente ao assunto diz respeito à família linguística indo-européia: muitos dos linguistas e filólogos que trabalham pelo viés do método histórico-comparativo, sustentam a tese de que o indo-europeu é o eixo comum de todas as línguas oficiais dos países da Europa Ocidental, com exceção do basco, e que subdividem-se em quatro ramos da família indo-européia: o helênico (grego), o românico (português, italiano, francês, castelhano, etc.), o germânico (inglês, alemão) e o céltico (irlandês, gaélico).
Referências:
• Lyons, John.“Linguagem e Linguistica – Uma Introdução”.Tradução de Averbuurg, Marilda Winkler; Souza, Clarisse Sieckenius de. LTC Editora. Rio de Janeiro-RJ, 1987.
• Saussure, Ferdinand de. “Curso de Linguistica Geral”. Tradução de Chelini, Antônio; Paes, José Paulo; Blikstein, Izidoro. Editora Cultrix LTDA. São Paulo-SP, 1995.
• Wikipédia - Filologia
• Wikipédia - Família Linguística
• Wikipédia - Línguas Indo-européias
• Wikipédia - Familia de Lenguas (espanhol)
• A Língua Portuguesa - UFRN
• Wapédia - Família Linguística
• Dicionário Aulete
Estudante: Fernanda Lima
Sabemos que quanto mais evoluída é uma nação maior é o interesse que recai sobre sua língua, daí a necessidade que muitos estudiosos tiveram de analisá-las. Ao realizarem esses estudos percebeu-se que muitas línguas possuem semelhanças entre si, formando “grupos”. Aprofundando-se nessas semelhanças descobriram-se as famílias linguísticas.
Famílias Linguísticas é um grupo de línguas que derivaram de um ancestral comum, uma proto-língua. Geralmente essa proto-língua é pouco conhecida, devido a pobreza de material escrito naquela época, porém é possível conhecê-la através de um processo histórico-comparativo, que trata-se de uma reconstituição da proto-língua a partir de suas “filhas”, baseando-se em suas semelhanças e diferenças.
As grandes famílias possuem ramos que são unidades filogenéticas menores. As línguas que não podem ser classificadas em nenhuma família são conhecidas como línguas isoladas.
As descrições já feitas permitiram identificar as seguintes famílias lingüísticas:
1. Línguas Indoeuropéias, a maior e a mais falada das famílias linguísticas.
2. Línguas Camito-semíticas: línguas etiópicas, árabe, aramaico, copta, berbere, hebraico, cuchítico, etc.
3. Línguas Uralo-altaicas: ugro-finlandês (finlandês, este, lapão, magiar), turco-mongol (turco, mongol), samoiedo, tungúsio.
4. Línguas Niger-congo (África).
5. Línguas Banto (África).
6. Línguas Nilo-saarianas (África).
7. Línguas Khoin: bosquímano, hotentote (África).
8. Línguas Caucasianas: georgiano, mingrélio, etc.
9. Línguas Malaio-polinésias e Melanésias: indonésio, malgaxe, etc.
10. Línguas da Ásia: línguas dravídicas (tâmul), línguas munda, línguas tai (laociano, siamês, vietnamita), chinês, línguas mon-khmer (cambodjiano), línguas tibeto-birmanesas, aino, coreano, japonês.
11. Línguas do filo* Ártico americano-paleossiberiano (esquimó, etc.),
12. Línguas do filo Na-Dene (línguas entre outras dos índios Apache e Navaho)
13. Línguas do filo Macro-Algonquino (línguas do Canadá e do norte dos Estados Unidos)
14. Línguas do filo Macro-Sioux
15. Línguas do filo Hoka (línguas da Califórnia e do México)
16. Línguas do filo Penuti (famílias Mixe-Zoque, Totonaca, Maia, entre outras)
17. Línguas do filo Azteca-Tano (entre outras, o Náutl Clássico)
18. Línguas do filo Oto-Mangue (línguas do México e da América Central)
19. Filo Macro-Chibcha (línguas da América Central e Norte do Brasil)
20. Línguas do macrofilo Jê-Pano-Karib, que inclui o Filo Macro-Jê no Brasil
21. Línguas do macrofilo Andino Equatorial (quêchua, aimara, faladas na Bolívia, Equador e Peru – línguas faladas por milhões de indivíduos), Tukano, Katukina, Tupi, entre outras.
Vamos nos deter um pouco na família indo-européia, pois dela originou o Latim, quer por sua vez transformou-se nas línguas românicas, entre as quais está o português.
Parte dos imigrantes indo-europeus instalaram-se na região do Lácio, na Itália, provavelmente 2.000 a.C. Por volta de 700 a.C. surgiu o Latim. Com o desenvolvimento da civilização romana, já em 150 a.C., os romanos invadem a península ibérica. O Latim que se dissemina na região da península é o Latim Vulgar, marcado pelo dinamismo, por ser utilizado pela comunidade ágrafa. Na península ibérica entra em contato com as línguas dos povos pré e pós-romanos, transformando-se por estes e outros fatores de ordem pragmática, dando origem as línguas românicas, entre elas o português no séc XIII d.C. Com a formação da nação portuguesa, e sua subsequente expansão, o português é trazido para o Brasil a partir de 1530.
Referências Bibliograáficas:
• CASTILHO, Ataliba. Como, onde e quando nasceu a língua portuguesa?
• CASTILHO, Ataliba. Como as línguas nascem e morrem? O que são famílias lingüísticas?
•
Wikipédia
Estudante: Tarcília Barboza Oliveira
Apresento as duas definições consideradas de melhor compreensão do termo pesquisado.
“Representação visível e durável da linguagem” (Cohen,1953,7), que de falada e ouvida, passa a ser escrita e lida. O processo predominante para isso foi o desenho de sinais convencionalmente correspondentes aos sons emitidos; desde os fenícios esses sinais se reportam aos fonemas e são letras, constituindo um sistema de grafia.
Camara Júnior, J. Matoso (1981) in: Dicionário de Linguística e Gramática.
A escrita é uma tecnologia, criada e desenvolvida historicamente nas sociedades humanas, podendo ser globalmente caracterizada como a ocorrência de marcas num suporte. Mesmo que, habitualmente, a função central atribuída à escrita seja de registro de informações, não se pode negar sua relevância para a difusão de informações e construção de conhecimentos. O avanço das novas tecnologias e as interações entre diferentes suportes (por exemplo, papel, tela) e linguagens (verbal ou não verbal) têm permitido, inclusive, o aparecimento de formas coletivas de construção de textos, como é exemplo a própria Wikipédia (de onde este verbete foi retirado).
Fonte:
• Wikipédia, acessado em: 01/03.
Estudante: Clariany Ferreira Correia
Dialeto: falar de uma comunidade, parte de uma comunidade maior, com cujo falar mantém afinidades estruturais, praticado geralmente sob a forma oral e não reconhecido por um Estado como forma de comunicação em suas relações internas e externas.
(ELIA, Sílvio. A Língua Portuguesa no Mundo).
Dialeto é um sistema de signos e de regras combinatórias da mesma origem que outro sistema considerado como a língua, mas que se desenvolveu, apesar de não ter adquirido o status cultural e social dessa língua, independentemente daquela.
(DUBOIS, Jean. Dicionário de Linguística. 1978).
Dialetos são falares regionais que apresentam entre si coincidência de traços linguísticos fundamentais.
(MATTOSO CÂMARA JR., Dicionário de Linguística e Gramática).
Dialeto é a modalidade de uma língua caracterizada por determinadas peculiaridades fonéticas, gramaticais ou regionais. As línguas não são totalmente homogêneas, o que constitui a dialetalização em um falar vivo difundido em um território vasto, e que é utilizado por uma população numerosa, como no caso o português do ceará que distingue do Rio Grande do Sul: o anglo-americano de Chicago distingue do de Boston, embora as formas regionais de uma língua não seja comum nacionalmente e não neguem sua unidade conforme o conjunto linguístico do qual elas irão fazer parte.
(Vanessa Braga Sá, Publicado no Recanto das Letras em 14/05/2006).
Dialeto são as variações de pronúncia, vocabulário e gramática pertencentes a uma determinada língua. Os dialetos não ocorrem somente em regiões diferentes, pois numa determinada região, existem também as variações dialetais etárias, sociais referentes ao sexo masculino e feminino e estilísticas.
(FERREIRA, Ana Cláudia Fernandes. Variações da Língua).
Dialeto é qualquer variação regional de um idioma que não chegue a comprometer a inteligibilidade mútua entre o falante da língua principal com o falante do dialeto. As marcas linguísticas dos dialetos podem ser de natureza semântico-lexical, morfossintática ou fonético-morfológica.
(HOUAISS, Dicionário da língua portuguesa).
Dialeto. Língua regional ou variedade regional de uma língua.
(LUFT. Celso Pedro. Dicionário Gramatical da Língua Portuguesa).
Dialeto: variedade regional ou social de uma língua; linguajar.
(AURÉLIO. Novo Dicionário Básico da Língua. 1994/1995).
Dialeto. Variedade regional ou social de uma língua, que dela se distingue por certas peculiaridades léxicas, fonéticas, morfológicas e sintáticas não essencialmente diferenciadoras. Maneira de falar.
(KURY, Adriano da Gama. Dicionário da Língua Portuguesa).
Dialeto. Variante regional de uma língua, da qual difere pouco.
(AMORA, Antônio Soares. Dicionário da língua Portuguesa).
Dialeto. Variedade regional de uma língua.
(BUENO, Francisco da Silveira. Dicionário da Língua Portuguesa).
Dialeto seria um sistema de sinais originados de uma língua comum, viva ou desaparecida; normalmente, com uma concreta delimitação geográfica, mas sem uma forte diferenciação diante dos outros dialetos de mesma origem. De modo secundário, poder-se-iam também chamar dialetos as estruturas linguísticas, simultâneas de outra, que não alcançam a categoria de língua.
(UFRG - A Língua Portuguesa)
Dialeto. São as várias línguas dentro de uma língua-padrão mais ou menos próximas entre si, mais ou menos diferenciadas, mas que não chegam a perder a configuração da língua de origem.
(BECHARA. Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa).
Dialeto é uma língua mais ou menos uniforme falada por uma população homogênea com mobilidade apenas local.
(GLEASON Jr., H.A. Introdução à Linguística Descritiva).
Dialeto é a fala característica de certas regiões de um país, marcada por vocabulário próprio, construções gramaticais determinadas e, oralmente, sotaque definido.
(CASTRO. Maria da Conceição. Língua e Literatura).
Dialeto é uma espécie de distintivo ou emblema dos grupos, e, nesse sentido, colaboram para constituir sua identidade. Os dialetos correspondem em grande parte a grupos sociais relativamente definidos: os que residem numa região ou em outra; os que pertencem a uma classe social ou outra; os que são mais jovens ou mais velhos; os que são homens ou mulheres; os que têm uma profissão ou outra etc.
(Maria Bernadete M. Abaurre e Sírio Possenti. Vestibular Unicamp: Língua Portuguesa).
Dialeto é a reprodução da forma de expressão de um grupo social.
(FERREIRA. Marina. Português. Atual. 2004).
Dialeto é a maneira própria de falar de determinada região: pode ter uma gramática própria; a concordância, por exemplo, é estabelecida de acordo com regras diferentes das que estabelecem a concordância na norma culta. Ou imposta pelos acontecimentos e mudanças comportamentais da sociedade ao longo dos tempos, sofre variações constantes. As palavras sofrem alterações na grafia ou mudam de sentido.
(SARMENTO. Leila Lauar. Português. São Paulo: Moderna. 1ª edição. 2004).
Dialeto é variedade de uma língua, não reconhecida por um Estado, que apresenta diferenças marcantes. As diferenças em relação a tal língua são principalmente de natureza fonética, lexical e semântica e em menor escala, morfológica e sintática. Essas distinções não podem impedir a comunicação, os falantes deverão conseguir, com maior ou menor dificuldade, no âmbito do dialeto, comunicar-se.
(Edvaldo da Costa e Silva Jr.).
Estudante: Edvaldo da Costa e Silva Júnior
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